O relacionamento abusivo é um tema que tem recebido grande destaque no debate público, principalmente, quando o assunto envolve casais heterossexuais. Entretanto, se tem a ideia de que este tipo de situação acontece somente nas relações entre homens e mulheres. Nesta lógica de pensamento, o homem sempre é o algoz e a mulher a vítima.

 

Porém, atitudes abusivas podem ocorrer em qualquer tipo de relacionamento, sejam eles amorosos ou não, heterossexuais ou não. Basta que para isso haja a figura do abusador, que desrespeita os limites físicos e psicológicos do parceiro e, consequentemente, a vítima de tais abusos.  Para compreender mais sobre este assunto, acompanhe o post a seguir e saiba quais são os principais elementos que caracterizam um relacionamento abusivo e descubra como você pode agir diante desta situação.

 

Como saber se estou vivenciando um relacionamento abusivo?

Há várias situações pelas quais pessoas abusadas passam durante seus relacionamentos. Estes eventos traumáticos geram muitas consequências negativas para as vítimas, que se sentem culpadas, deprimidas e com baixa autoestima.

 

Além disso é comum as vítimas acreditarem que são as responsáveis pelo fracasso do relacionamento e, assim, tornam-se impotentes para sair do relacionamento tóxico e procurar novos parceiros.

 

Para visualizar melhor este tipo de abuso, vejamos o seguinte exemplo: Camila e Márcia estavam juntas há quase dois anos.

Camila tinha poucos amigos, gostava de ir à academia, de fazer compras e passar horas na frente da TV. Márcia era mais sociável, frequentava baladas, bares e adorava estar com seus amigos para jogar conversa fora.  Desde que se conheceram em uma festa, as duas se tornaram amigas até descobrirem que estavam apaixonadas uma pela outra.

 

No começo saíam para se divertir juntas, iam a bares, baladas e faziam programas caseiros. Entretanto, os meses se passaram e muitas coisas começaram a mudar. Camila, como não tinha tantas amizades, ficava bastante dependente de Márcia. E, por isso, se sentia no direito de controlar todas as atividades da companheira, desde programas com amigos, atividades de trabalho, contatos nas redes sociais, decisões particulares, entre outras situações.

 

Eventualmente, as brigas aconteciam por causa do controle excessivo que Camila depositava no relacionamento. Não havia espaço para diálogo, apenas discussões infundadas que não levavam a lugar nenhum. Além de abusar psicologicamente da parceira, Camila ainda culpava Márcia de ser o motivo de agir de forma descontrolada e possessiva.  Márcia, que era a vítima, passou a ser considerada a “vilã da história” pela própria abusadora. Também começou acreditar que não podia mais discutir com Camila, pois era ela, Márcia, quem cometia os erros na relação.

 

Com o passar do tempo, Márcia passou a se sentir cada vez mais triste, ansiosa e com autoestima lá embaixo. Pensava não ser capaz de manter uma relação que só magoava quem a amava. Camila e Márcia viviam em uma relação abusiva e não sabiam!

 

Por que é tão difícil assumir que estamos em um relacionamento abusivo?

É difícil para qualquer pessoa se deparar com a realidade de viver em uma relação abusiva. Porém, em relacionamentos homossexuais pode ser mais difícil ainda pelos seguintes motivos:

 

Desinformação

Muitas vezes, os envolvidos não sabem que esse tipo de situação pode ocorrer dentro de uma relação entre pessoas do mesmo sexo. Outro ponto importante a se destacar é que diversas relações homossexuais acontecem longe de familiares e amigos. Isso faz com que a vítima fique sem apoio externo e desprovida de informações para enfrentar o problema e sair de tal relação.

Medo

É um dos principais motivos pelo qual as pessoas continuam em relacionamentos abusivos. Não podemos esquecer que estas relações são permeadas de violência física e/ou psicológica. Estes fatores interferem diretamente nas decisões das vítimas que, por medo das reações dos parceiros abusadores e do julgamento da própria sociedade, acabam vivendo junto de seus agressores.

 

Culpabilização da vítima

O problema torna-se ainda mais grave por conta deste terrível erro que nasceu dentro da própria sociedade: a culpabilização da vítima. Frases condenáveis como “apanha porque gosta”, “deve ter dado motivo”, “mas, também, olha como ela se comporta” entre outras inconcebíveis justificativas legitimam a violência por parte dos parceiros. Com estas afirmações, as vítimas passam a acreditar que são as responsáveis pela situação e aceitam sua condição “inferior” dentro do relacionamento em que estão.

 

Falta de apoio

Como vários relacionamentos homoafetivos não são assumidos, muitas vítimas encontram-se sozinhas e isoladas enquanto passam por momentos difíceis. Sem a presença da família e apoio de amigos, estas pessoas acabam presas às amarras da violência em relacionamentos tóxicos.

Aceitação da realidade

Leva tempo para aceitar que a pessoa que amamos não existe mais ou que, na verdade, nunca existiu. Para viver a realidade é preciso deixar todas as ilusões para trás, assim como planos futuros, lembranças e sentimentos. É um processo demorado e demasiadamente dolorido.

 

O diálogo é a base para evitar ou sair de qualquer tipo de relações abusivas. É preciso informar pessoas sobre o que essas relações são e o que fazer para sair delas.

 

É mais urgente ainda abordar esse assunto não só no meio heterossexual e amoroso, mas, também, em todos os tipos de relações e para todas as orientações.

 

Lembre-se de que você possui amparo legal para denunciar qualquer tipo de violência causada por relacionamentos abusivos, como a Lei Maria da Penha que protege também mulheres transgêneros e homens gays. Se você vivencia qualquer tipo de abuso ou conhece casais que passam por esse tipo de situação, ligue 180 e denuncie agressões diretamente na Central de Atendimento à Mulher.

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