Júlia era uma mulher de 29 anos de idade. Trabalhava como administradora, há quatro anos, em uma pequena empresa da cidade. Sua rotina era recheada de atividades que ela tinha que cumprir, sempre procurava fazer aquilo que a empresa exigia.

Tinha poucos amigos, com os quais às vezes saía aos finais de semana, quando não estava envolvida com alguma atividade de seu trabalho. Desde sua adolescência, Júlia dizia sofrer de um problema que a incomodava muito, a sua autoestima era baixa.

Nessa época, se achava uma das meninas mais feias de sua turma, tanto que quando iam para festas ou aniversários dos amigos, Júlia se sentia incomodada, pois, para ela, suas amigas estavam sempre bem vestidas e maquiadas e ela não estava à altura das mesmas. Desde então, Júlia passou a ter algumas atitudes buscando se esconder dos olhos julgadores das outras pessoas. Sua maior satisfação era de que ninguém a notasse, pois assim achava que conseguiria evitar que as pessoas falassem sobre si, principalmente que a criticassem, o que ela pensava que frequentemente acontecia.

“Quando tiver uma boa autoestima, aí sim vou ser uma pessoa diferente”

O sonho de Júlia era gostar de si mesma, era poder se valorizar, colocar a roupa que quisesse, conversar com pessoas e expor o que pensava e sentia, mas achava que isso era impossível, já que não tinha uma boa autoestima. Júlia sempre dizia: “Quando tiver uma boa autoestima, aí sim vou ser uma pessoa diferente”, mas não era o que acontecia.

Júlia não costumava ir à piscina ou à praia, evitava sair para festas e bares com seus amigos, evitava expor seus gostos e suas opiniões e a vestir a roupa que mais gostava, pois alguns pensamentos sempre apareciam: “Você não tem o corpo das modelos do Instagram, é muito magra, precisa engordar primeiro para depois poder colocar um biquíni, senão o que vão falar?”, “As pessoas vão te notar, não vão gostar de você, vão te achar feia”, “Vão rir do que você disser, vão discordar de você, por isso fale sempre o que as pessoas gostam de ouvir”, “Vão dizer que sua roupa é estranha, que você não sabe se vestir, é melhor ficar em casa, é mais seguro”.

E assim para evitar que o pior acontecesse, que era ser criticada por outras pessoas, Júlia buscava se proteger, se afastando do convívio social, daquilo que gostava e lhe fazia feliz, porém o que ela não sabia era que isso ajudava a destruir a sua autoestima.

Quando Júlia deixava de fazer o que gostava, de usar a roupa que mais lhe agradava, por medo das pessoas criticarem, de falar aquilo que pensava, mesmo que o outro não gostasse de ouvir, de frequentar lugares, onde imaginava que seria alvo de comentários maldosos, ela evitava ser notada e aborrecer o outro, mas, ao mesmo tempo, também evitava ser valorizada por suas atitudes e os seus gostos.

Júlia não sabia que para ter a tão sonhada autoestima elevada precisaria estar em contato com outras pessoas, precisaria fazer aquilo que a deixava feliz e o que era importante para si, e não apenas o que o outro esperava dela, pois assim poderia ser valorizada, mesmo que os seus comportamentos não fossem úteis ou interessantes para as outras pessoas, poderia, então, ter afeto sem precisar pagar por ele.

Uma elevada autoestima é construída quando podemos ser quem somos, quando agimos de acordo com o que é importante para nós e nos deixa feliz, sem necessariamente ser do agrado do outro, e, mesmo assim, ainda sermos queridos e amados, sem sofrer a tão temida rejeição. Ao que tudo indicava, Júlia ainda tinha um caminho pela frente para construir uma boa autoestima.

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