O ciúme interfere de forma significativa na qualidade dos relacionamentos. Na maioria das vezes, incomoda o alvo do ciúme (tirando algumas pessoas, que se sentem lisonjeadas). E, acima de tudo, prejudica a qualidade de vida do ciumento.

Algumas pessoas parecem fazer questão do ciúme, outras acreditam que é necessário para qualquer relacionamento. E há algumas que se incomodam verdadeiramente, mas acreditam que não é possível mudar esse sentimento, e então? Ciúme tem cura?

Ciúme como Prova de Amor:

Podemos afirmar que só sentimos ciúme de quem estamos afetivamente ligados. Mas isso não quer dizer que o ciúme seja uma prova de amor. É, no máximo, uma prova de que temos um sentimento de posse.

“Ninguém é de Ninguém”:

O ciúme se inicia na falsa crença de que uma pessoa possa pertencer a outra. Ouvi uma jovem mulher dizer que ela “não é namorada”; ela “está namorada” e que sua mãe a criou com a seguinte mensagem “se vocês (filhas) não são nem minhas; imagine de outras pessoas!”. Que lição fantástica!

Quando afirmamos que ninguém é de ninguém, podemos ampliar do fato de que ninguém nos pertence, para o fato inquestionável de que não temos controle sobre o outro. Ou seja, não posso controlar os sentimentos, as ações, os pensamentos do outro. Mas, curiosamente, somos criados achando o contrário.

“Sou tão Você, que Sinto Falta de Mim Mesmo”:

Rodolfo Petrelli conceitua respeito como “o ato de não invasão do espaço do outro”. Partindo deste conceito, constata-se que o modelo de relacionamento vigente na atualidade é permeado de desrespeito, de mistura do que é meu e do que é do outro.

Nesta mistura, atribuímos ao outro a responsabilidade por nos “fazer feliz”, por nos “deixar tranquilos e seguros”; entre outras coisas. Ou seja, equivocadamente deixo o que eu sinto a cargo do outro.

É preciso sairmos desses equívocos. Precisamos ampliar o autoconhecimento, delimitar os espaços de cada um nas relações e assumirmos responsabilidade por nós mesmos.

Muitas vezes só a compreensão desses conceitos de “espaço”, “respeito” e “responsabilidade” já promove uma mudança importante nas relações, outras, é necessário buscar ajuda psicoterápica.

Ciúme e Insegurança:

Se não conseguimos delimitar os espaços; se não assumimos a responsabilidade por nós mesmos; se não nos valorizamos, consequentemente, ficamos inseguros. E a insegurança está diretamente relacionada com o ciúme.

Imaginação, combustível do ciúme:

Com a ilusão de que podemos controlar o outro e com o medo passado culturalmente que temos de “ser feitos de bobo”, criamos o hábito de imaginar respostas praquilo que não temos resposta. Por exemplo, se ligamos para uma pessoa e ela não atende, não sabemos o motivo, mas imaginamos o motivo. Munidos dessa imaginação, lidamos com ela como se ela fosse real.

Essas deduções precipitadas, que chamo de imaginação, têm conteúdos predominantemente negativos. Sendo assim, geram sentimentos negativos e consequentemente ações negativas. Essas ações, advindas de sentimentos gerados por uma dedução precipitadas são responsáveis por um grande número de rompimento de relacionamentos.

Como Controlar o Ciúmes?

Diante do exposto, percebemos que o ciúme é prejudicial e que podemos diminuí-lo ou controlá-lo, e que sim, o ciúme tem cura.

Recapitulando e ampliando o que foi dito, em forma de dicas:

  • Amplie seu autoconhecimento.
  • Fortaleça sua autoestima.
  • Se posicione (mentalmente) dentro do seu espaço.
  • Se responsabilize por você, pelos seus sentimentos e pensamentos.
  • Conscientize-se de que não tem controle sobre o outro.
  • Observe quando suas deduções não são a partir de fatos concretos; ou seja, que são apenas imaginação, tirando assim o status de real delas.

É possível e vale à pena investir nessa mudança!!

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