Se você fizer uma busca no Google sobre ‘ser mãe’, ‘maternidade’ ou coisas parecidas, vai precisar procurar bastante para encontrar algo que não seja muito voltado para mães de bebês, crianças ou adolescentes. Como em todas as fases da vida, elas têm suas dores e seus prazeres, sofrimentos e alegrias. Ser mãe não é sempre a mesma coisa em diferentes épocas e em diferentes etapas da vida do filho.

A impressão que fica é que as mães de adultos são deixadas um pouco de lado, não se fala tanto nelas e em seus dilemas, mas elas existem aos montes e estão por aí lidando com várias questões das mais diversas formas. A experiência humana em geral é cheia de infinitas variações. Ser um adulto maduro é algo vivido das mais diferentes formas possíveis, e ser mãe madura de um filho adulto não é diferente. Cada família vai se ajustar de uma forma, e conversar sobre as possibilidades de viver essas experiências sem dúvida é muito enriquecedor.

Uma das questões mais populares quando fala-se nisso é a saída dos filhos de casa.

A reação mais comum é a famosa Síndrome do Ninho Vazio. Essa expressão se popularizou há algumas décadas e é considerada uma fase comum da maternidade. De forma resumida, podemos dizer que é um sentimento natural diante de uma transição na vida familiar. Os filhos começam a exercer mais sua autonomia, saem de casa e vem um momento de tristeza e saudade. Por inúmeras razões culturais, as mães costumam ser muito mais afetadas que os pais ou outras pessoas da família. Elas vivem algo como um sentimento de luto pelo fim dessa etapa e dessa forma de organização familiar.

Até aqui tudo normal e esperado, certo? Despedidas costumam ser difíceis, assim como mudanças de ciclo também. Mas existem várias outras questões que podem influenciar essas mães. É um momento que pode ser bastante revelador de como elas lidaram com vários aspectos de sua própria vida e com suas expectativas sobre os filhos ao longo do tempo.

Mães que abdicaram de tudo pelos filhos, de si, de suas vontades e sonhos podem sentir que perderam sua razão de viver. Mães que viam nos filhos um tipo de ‘cuidado e companhia para a velhice’ podem sentir-se traídas e tornarem-se muito cobradoras. Outras podem ficar constantemente remoendo a falta do filho, sentindo-se inúteis, como se não tivessem mais função no mundo.

Sabe aquelas que muita gente chama de “Mãezona”? Aquela que vive pelos filhos, abdica de praticamente tudo por eles, que a vida do filho torna-se sua principal realização? Aquela mãe que exala carinho, proteção e amor pelo filho quase que o tempo todo? As possibilidades são de que ela seja muito boa nesse papel, mas que tenha esquecido de si mesma. A “Mãezona” corre um grande risco de sofrer muito quando seus passarinhos voarem e ela se ver sozinha no seu ninho sem ter de quem cuidar. É provável que agora ela tenha ainda mais que cuidar de quem não cuidou por décadas: de si mesma!

É comum que a saída dos filhos de casa aconteça quando os pais já estão mais maduros ou na meia idade. Na mulher, pode coincidir com a menopausa, com reavaliações profissionais, com outras grandes mudanças na vida. Todos esses fatores podem formar um misto de confusão e intensidade emocional gigantesca!

Essa é a hora de mergulhar em si mesma e redescobrir a mulher com todos os papeis que estavam adormecidos dentro de você. É hora de reencontrar sua identidade, se redescobrir e criar novas prioridades. Nesse processo é essencial investir em outras relações e manter-se ativa e aberta para novos sonhos.

E os filhos? Serão excluídos da sua vida? De jeito nenhum. Um novo tipo de relação será inaugurado, uma relação de menos hierarquia, e de mais de parceria e amizade. Uma relação que vai ser aprendida com o tempo e que você, mãe, continuará sendo uma grande referência, mas agora de outra forma. E seus filhos te admirarão ainda mais ao verem se desenvolver em tantos outros papeis para além de ser mãe.

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